Era aquela rouquidão de fundo de garrafa, de fumo denso, a crepitar como lume brando, que o fazia voltar noite após noite, sentar-se no mesmo banco do fundo, costas contra o balcão, a fazer rodar alheadamente um pedaço de gelo até ele desaparecer submerso pelo líquido acobreado.
De dentro do peito para o espaço escuro da sala, a voz dela ondulava, falando de coisas que ele não se preocupava em acompanhar. Só aquele arranhar resignado o interessava, aquele arranhar onde debaixo de todas as palavras ela dizia continuamente, aqui está o que me dói.
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