sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Bandeira

Eles não querem. Ao menos sabem isso. Não querem isto nem aquilo, muito menos o outro ou a alternativa, não querem sequer o seu contrário. Sobretudo, não querem ser a favor, nunca! Que há neles um horror genético ao assumirem-se por alguma coisa, ao vestirem a camisola, carregarem a bandeira, acreditarem que, defenderem que, entregarem-se a. São os eternos ilesos, jamais marcados a ferro quente pelo compromisso.

Porque o compromisso, alto lá, o compromisso tem desvantagens severas! O compromisso compromete! O compromisso ata a boca quando uma pessoa quer protestar livremente contra a quantidade de erros que anda semeada por aí. A lógica é simples. Quem faz erra. O erro tende a deixar-nos um certo pudor perante actividades lúdicas como atirar pedras aos telhados dos outros. Logo, quem faz raramente anda carregado de pedras ou a espiar telhados alheios. É simples!

No entanto, o que verdadeiramente incomoda, o que custa a engolir como um sapo verde e esperneante, é que eles às vezes são nós. Sim, isso mesmo, nós. Assim um bocadinho, só um bocadinho, avergonhadamente, bem lá fundo no escuro escondido por trás de portas e janelas fechadas. Nós não queremos e ao menos sabemos isso. Mas fingimos que não, até alguém nos abrir a porta ou puxar a persiana para cima e perguntar:

E então como vai ser? Ficas ou sais?

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