segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Ninharia
Naquela noite tinham discutido por ninharias. Por nada mais, por ninharias. Pelo penalti marcado à vesgo pelo árbitro, um lance claramente fora da grande área. Pelo cartão vermelho directo, injusto, exibido a pedido da equipa adversária, numa falta que nem cartão merecia. Pelos três golos que se lhe seguiram, bónus nítidos da quebra anímica da equipa lesada. Por um jogo que contava tanto para a vida daqueles quatro irmãos como a falta de água potável nas regiões remotas da Coreia do Norte. Porque eram homens, porque competiam, porque se divertiam, porque tornando as pequenas rivalidades em grandes batalhas entre os índios e cobóis reviviam a juventude que o tempo ia sorvendo, porque acreditavam que podia ser sempre assim. Porque nunca pensaram que tais ninharias fossem as últimas palavras. Porque nenhum deles alguma vez pensou que o irmão mais novo, embriagado pela cerveja e exaltado pela testosterona, fosse pegar no carro e conduzir como um louco para a serra. Porque nunca imaginaram o despiste.
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