segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Oráculo

Variações em torno de um amuleto:
 
Tersan desfez a sua longa trança cor de avelã onde o sol aparecia a espaços, os dedos hábeis soltando os laços um a um. Quando terminou, agarrou-os num feixe único e passou o punhal várias vezes, até grossas madeixas se amontoarem no chão.
 
A sua cabeça pequena e perfeitamente redonda, de onde o cabelo disparava agora assimetricamente, como setas apontando caminhos opostos, voltou-se para o céu.
 
O Oráculo disse:
 
- Enfrenta o coração negro da noite com a leveza de um sopro, despojada de tudo.
 
O Oráculo disse:
 
- Há no caminho dos Homens um lugar secreto de compaixão.
 
O Oráculo era magro e pálido, com olhos de cristal líquido a reluzir na semi-obscuridade.
 
Tersan desceu até aos joelhos, dispôs os braços à frente do corpo, palmas voltadas para cima e cara voltada para o chão. Mas era o céu que os seus olhos viam ainda, por detrás das pálpebras fechadas.

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