segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Língua


Línguas há muitas. 
 
Língua de gato, língua de veado, língua da sogra... estranha comparação... língua de linguarudo, língua de lambão, lambuzado e alambazando-se, língua de comilão. Língua à míngua. Língua viperina, virulenta, assassina. Língua natural, de sinal ou gestual, língua formal, como a computacional, e ainda a língua animal, língua de peixe que sabe nadar. Língua de beijo, beijo de língua. Linguado... o peixe, não o beijo.

O linguajar é a arte de dar à língua de maneira específica, a maneira específica das gentes que dão à língua de determinada maneira.

A língua é o órgão muscular escondido na boca. É o músculo que não se cansa. Mas quem se cansa põe a língua de fora e as línguas de fora às vezes são puxadas. Ou cobertas de pimenta. Ou furadas. Com um piercing.

A língua portuguesa é a língua que tem e não tem c. Que tem e não tem p. Que teve ou tinha tido ou quem sabe voltará a ter ph. É a língua prestidigitadora. Ou bipolar, como se lhe queira chamar. E também é minha, e quando ela é minha eu ponho-lhe os p que bem me dá na gana.

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