Outras épocas... e um piscar de olho ao romantismo:
Minha querida Cécile,
Os dias são longos e Londres cinzenta para lá do que por vezes creio poder suportar. O Tio tem-me mantido ao seu lado em todos os pequenos detalhes da gestão das firmas Hublot, falando-me amiúde de como começou com um pequeno armazém perto de Vincent Square e de como um dia também eu terei de saber levar aos ombros o pequeno império familiar.
A mim, falta-me a Provença, inchada de amarelo e lilás, morna, terna, musical. Por aqui um homem não pode correr sem destino, nem sonhar de olhos abertos, nem abandonar-se ao sol. Tudo é mecânico, até o coração das gentes.
Ultimamente tenho recebido em sonhos a tua visita. Surges-me uma e outra vez na penumbra, o teu rosto iluminado não sei por que estranho luar, sorrindo sem palavras. Mas sempre que estendo a mão para te tocar somes-te por entre os meus dedos, recuando na distância como um paraíso inalcançável. A tua figura vai minguando até não ser mais que um ponto no horizonte e eu tento gritar mas é o vento que me come a própria voz. Depois acordo, em suores aterrados, e só ao cabo de largos minutos consigo forçar-me ao movimento.
Por tais inquietações nocturnas tenho sofrido em dobro a distância que nos separa. Querida Cécile, espero ansiosamente notícias tuas, e nem que todos os Tios deste mundo e do Universo inteiro também quisessem interpor-se entre nós, ainda assim te esperaria, do outro lado da sua barreira!
Sempre teu,
Sébastian
Minha querida Cécile,
Os dias são longos e Londres cinzenta para lá do que por vezes creio poder suportar. O Tio tem-me mantido ao seu lado em todos os pequenos detalhes da gestão das firmas Hublot, falando-me amiúde de como começou com um pequeno armazém perto de Vincent Square e de como um dia também eu terei de saber levar aos ombros o pequeno império familiar.
A mim, falta-me a Provença, inchada de amarelo e lilás, morna, terna, musical. Por aqui um homem não pode correr sem destino, nem sonhar de olhos abertos, nem abandonar-se ao sol. Tudo é mecânico, até o coração das gentes.
Ultimamente tenho recebido em sonhos a tua visita. Surges-me uma e outra vez na penumbra, o teu rosto iluminado não sei por que estranho luar, sorrindo sem palavras. Mas sempre que estendo a mão para te tocar somes-te por entre os meus dedos, recuando na distância como um paraíso inalcançável. A tua figura vai minguando até não ser mais que um ponto no horizonte e eu tento gritar mas é o vento que me come a própria voz. Depois acordo, em suores aterrados, e só ao cabo de largos minutos consigo forçar-me ao movimento.
Por tais inquietações nocturnas tenho sofrido em dobro a distância que nos separa. Querida Cécile, espero ansiosamente notícias tuas, e nem que todos os Tios deste mundo e do Universo inteiro também quisessem interpor-se entre nós, ainda assim te esperaria, do outro lado da sua barreira!
Sempre teu,
Sébastian
Sem comentários:
Enviar um comentário