quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Reportagem

Nunca tinha querido ser outra coisa que não aquilo. O pensamento martelava-lhe o cérebro enquanto esperava, misturando-se com o troar contínuo dos disparos cada vez menos distantes. Umas horas antes tinham chegado ao hotel os primeiros alertas de novos conflitos junto à fronteira e cada jornalista, o melhor que pudera, fizera chegar notícia à capital. Iriam para o ar dali a minutos. Era noite em Lisboa e eles seriam a grande reportagem do horário nobre, um relato de medo e carnificina suficientemente distante para chocar sem interromper a refeição. Nunca tinha querido ser outra coisa que não aquilo, mas a primeira vez que reportara de uma zona de guerra vomitara de medo, e nessa altura soubera que o preço da coragem não se paga de ânimo leve. Fora há cinco anos atrás.

Sem comentários:

Enviar um comentário