domingo, 23 de dezembro de 2012

Bicicleta

Era chegado o momento de testar a sabedoria popular: após dez anos sem andar de bicicleta, será que Carina ainda sabia andar de bicicleta? "Claro que sim, ninguém se esquece", disse a jovem recepcionista com um sorriso incentivante. "Se precisar de ajuda, basta dizer. E se, por acaso, não se adaptar à bicicleta, ou não se sentir confortável a andar, não há problema, pois podemos devolver-lhe o dinheiro." "Muito obrigada. Creio que vou conseguir, mas se precisar de alguma coisa venho falar convosco", comentou Carina, visivelmente agradecida por ter recebido compreensão do outro lado do balcão. "Aqui estão o cadeado e as chaves. Aconselho-a a prender o cadeado na bicicleta, enquanto estiver a andar, para evitar perdê-lo durante o andamento. E a guardar bem as chaves". "Cadeado, chaves, prender cadeado, guardar bem as chaves, ok, vai ser fácil", pensava Carina, sentindo já a alegria das borboletas no estômago. "É a número 15. O meu colega acompanha-a ao terraço aqui nas traseiras", disse a recepcionista, apontando para o lado de lá da pequena janela que estava atrás de si.

"A número 15 é linda", pensou Carina, enfeitiçada pela ideia de domar aquele ser metálico de duas rodas, enquanto o jovem lhe preparava a bicicleta, limpando a água do selim, conferindo os pneus e ajustando um pormenor no cesto. "Hoje... Hoje é dia de licença para andar de bicicleta!" E foi. Foram horas e horas a pedalar, como se aqueles corpos, o da bicicleta e o de Carina, fossem amantes há muito ansiosos por se encontrarem.

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