Naquele dia não lhe disse a verdade. Foi a primeira vez. Muitas outras se seguiriam, quase involuntariamente, pelo simples facto de que era um caminho demasiado fácil e tudo o resto demasiado difícil. Pequenas omissões, desvios subtis, faltas de rigor inocentes e outros nomes mais que utilizou para justificar cada mentira dita, erguida entre eles como um muro, a afastá-los mais e mais, irremediavelmente, até o silêncio se converter numa segunda pele de todas as palavras que trocavam.
A verdade tem destas coisas: se brincamos com ela arriscamos-nos a perder-lhe o sentido. Enredado na sua teia de ficção cuidadosamente tecida, ele jamais poderia sair dela sem destruir também o fio da ilusão que sustentava tudo o que tinha e tudo em que se tinha tornado.
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