Ela seguiu a Linha até ao final e tropeçou no Ponto que tinha estacado momentos antes. O Ponto quase furava a página e ela escorregou através do tapete de grafite para dentro da bacia côncava que ali se escavara.
Trepou para fora agarrada às fibras do papel e em breve se deu conta da imensidão do espaço em branco.
Chutou o Ponto para o infinito e ficou a vê-lo saltitar na distância, como um seixo sobre as águas mortiças de um lago. Salpicos espalharam-se por todo o lado e o Ponto continuou o seu caminho numa Espiral que durou uns segundos e depois se desfez numa Linha Curva.
O Ponto estava de regresso e pisava os mesmos caminhos, em Perpendiculares Enviesadas, e desses cruzamentos nasciam Novos Pontos que disparavam em diferentes direcções.
Agora ela via o Ponto Original a rolar a toda a velocidade e chocar com os Novos Pontos que ainda não sabiam andar a direito. Por todo o lado Borrões manchavam a página e havia mares inteiros de grafite a atravessar se uma pessoa quisesse chegar a qualquer lado.
Pontos houve que escaparam pelos limites da página e criaram Linhas Infinitas, que eram como caminhos intermináveis para o Ponto de Fuga. Outros correram até aos limites da sua energia e jaziam abandonados, crivando a folha de Pontos Finais. Outros ainda giraram sobre si próprios, dissolvendo-se na Mancha indistinta.
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