A páginas tantas, transcorridos os vastos álbuns algumas vezes, Ana dá por si a pensar nas pessoas cujos contornos e movimentos ficaram cunhados na película electrónica da câmara e a recordar os lugares e os momentos em que estranhos invadiram o seu olhar (e em que disparou sem piedade os olhos gulosos da lente na sua direcção).
"Quem são estas pessoas?", perguntava-se. Observando o leque de fotografias fortuitas que sempre encontrava nos seus álbuns, reflectia: "Com quem estará este senhor a conversar? Sobre o que será a conversa?" A hipótese de estar a telefonar para a mulher a explicar, desanimado, como ainda não foi desta que conseguiu o emprego era tão provável como a hipótese estar a telefonar para o chefe a explicar porque não tinha ido hoje trabalhar. Tão aleatório como a hipótese de se chamar José ou a hipótese de ter nascido Damião.

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