Primeiro fora apenas esquecimento, a razão pela qual não lhe telefonara pelos anos, nem dois meses mais tarde, por ocasião daquela data importante, tantas vezes repetida, mas que a sua memória se recusara a fixar. Um esquecimento estúpido, comezinho, de quem andava enterrada em vida até aos olhos, a gerir papéis e a esticar as horas, para que nelas coubesse sempre mais.
Mas o silêncio que se seguiu, fora pura vergonha. Vergonha de ter falhado. Vergonha de ser imperfeita. De pedir desculpa. Vergonha de pegar no telefone e dizer "não sei como me esqueci" ou "tenho saudades tuas".
Não, não fora a sua memória fraca que roera os cantos àquela amizade, mas sim o orgulho forte, demasiado forte para admitir ou conceder.
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