Três diálogos (im)prováveis:
- A minha nudez incomoda-o.
- De forma nenhuma.
- Sim. Consigo vê-lo nos seus olhos.
- Perdoe-me a crueza, mas a sua nudez é-me absolutamente indiferente.
- ...
- Não me olhe assim, não é o que pensa.
- E o que penso...?
- Sou médico, simplesmente.
- Ah. E?
- E... que para o essencial da vida vamos nus. Dar à luz, nascer, morrer, sarar feridas... Os corpos já pouco me surpreendem, por esta altura.
- Que racional.
- Apenas constato factos.
- O meu ponto, precisamente... Quanto a mim, se quer saber, acho que gosta de se enganar. Mas a verdade é que mal consegue olhar-me nos olhos por dois segundos. Talvez porque o recordo que por baixo dessas roupas está avassaladoramente nu. Envergonha-se porque continua a ser aquele animal bruto e assustado que um dia o acaso fez erguer-se em duas patas.
- Que tirada dramática.
- Chamo as coisas pelos nomes, é tudo.
*
- Não olhes ainda.
- Não.
- Mas não olhes mesmo.
- Já te disse que não.
- Pronto.
- Já posso olhar?
- Não!
- ...
- Só mais um segundo. Só... um bocadinho... e... pronto, agora sim.
- Mas assim no escuro não vejo nada.
- Óptimo.
*
- ...
- Amo-te.
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