O chimpanzé fita-me com os seus olhos humanos e aponta qualquer coisa no chão que eu não consigo ver. Repete o gesto. Desloca-se de um lado ao outro do vidro, aponta, interpela-me com um dedo em riste, um dedo simples, gentil, que no vidro faz tap tap tap. Tenta comunicar. À minha volta multiplicam-se as onomatopeias ruidosas, os risos divertidos, as curiosidades perplexas mas na essência indiferentes. O chimpanzé faz o seu percurso uma e outra vez, toca no vidro, olha-me inquisitivo, tenta dizer-me algo que eu não compreendo. Por fim, desinteressa-se de nós e com bonomia afasta-se na distância do seu terreiro designado. A multidão dispersa mas eu continuo ali, especada, a vê-lo trepar e rebolar lá mais ao fundo. Um primata entre outros. Com algo de nós guardado dentro.
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