Não é fascinante que, habitando a saudade no nosso peito, digamos "Tenho saudades tuas"? Que caminhos extraordinários terá percorrido a nossa língua para que a saudade, pela força da verbalização, se mostre sempre múltipla, plural? "Tenho saudades tuas" E não é igualmente espantoso que a saudade que trazemos no peito e que, por razões a desvendar, nos sai sempre multiplicada em mil e uma saudades seja, nos contornos seculares da nossa língua, um sentimento de outrem e não nosso? "Tenho saudades tuas."
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