ela
oscila, leve, leve, leve, como o canavial empurrado de lá para cá pelo
vento, carregando sobre os pés a sua humanidade, carne, osso, músculo,
mas para quem olha ela flutua simplesmente, sem dor, sem resistência, jorro de
luz a inundar a sombra
e
ser quem é é-lhe tão óbvio, acto reflexo do simples estar vivo, nela a
identidade não é a capa mas a essência, não se revela dentro das ideias
porque o movimento vem do centro não da periferia, o movimento vem do
fundo e corta através de artérias e tendões, impele a massa inerte para a
expansão
o
universo manifesta a forma no espaço, recorta o espaço nos limites da
forma, sombras continuamente em convergência, e ela eleva-se e
projecta-se dentro da música ou talvez seja a música que a lança uma e
outra vez contra o céu

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