segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Identidade


ela oscila, leve, leve, leve, como o canavial empurrado de lá para cá pelo vento, carregando sobre os pés a sua humanidade, carne, osso, músculo, mas para quem olha ela flutua simplesmente, sem dor, sem resistência, jorro de luz a inundar a sombra

e ser quem é é-lhe tão óbvio, acto reflexo do simples estar vivo, nela a identidade não é a capa mas a essência, não se revela dentro das ideias porque o movimento vem do centro não da periferia, o movimento vem do fundo e corta através de artérias e tendões, impele a massa inerte para a expansão

o universo manifesta a forma no espaço, recorta o espaço nos limites da forma, sombras continuamente em convergência, e ela eleva-se e projecta-se dentro da música ou talvez seja a música que a lança uma e outra vez contra o céu

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