quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Relógio

preguiça. brisa breve. um beijo bom.
a dança contínua que vai do sol até aos olhos.
unhas com terra dentro. vidas com gente dentro.
vidas de barriga cheia, pelas costuras, à flor da pele. a deixar rasto.
sulcos, imprevistos, imperfeições. curvas incertas...
e mais que tudo, missões impossíveis.
correrias desenfreadas.
sins rotundos na ponta da língua.
a lua recortada no coração da noite, a roer-lhe as entranhas, a crivá-la de luz. 
uma gargalhada a rebentar no rosto sem pudor.

pausa.

ali está o céu.
vês?

sentes a pele de galinha que arranca ao teu corpo aquele azul familiar?

as verdades enormes andam atadas a coisas pequenas.
coisas de gente que mede os dias sem relógio.

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