Éramos quatro, naquela noite. Quatro pares de olhos reluzindo num mar escuro de cadeiras desertas. E ele só um, em cena.
Representou para nós como se fossemos casa cheia, cortando a direito através da sua solidão naquele palco diminuto, onde chegavam ocasionalmente os sons do metro e da água corrente que as cortinas não conseguiam abafar.
Naquele recanto simples de uma cidade alheada, representou com a grandeza dos grandes gestos, das completas entregas, dos actos de amor, oferecendo-se inteiro a quatro estranhas que mal enchiam plateias e muito menos egos.
Nesse dia ensinou-me sobre a verdadeira paixão, sobre o que é amar a nossa verdade mais do que a nós próprios, abdicar do orgulho, ir ao âmago, fazer algo de modo íntegro, porque sim, porque nos é essencial para a sobrevivência de quem genuinamente somos.
O público aplaudiu de pé, durante muito tempo.
Éramos só quatro, naquela noite. E ele só um, em cena.
Mas entre nós sabíamos que nada faltava. Nada mais era preciso.
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