quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Cata-vento


Éramos crianças. Bordávamos caminhos de cabra cega por entre os lençóis brancos que a avó estendia no terraço e desenhávamos outras brincadeiras simples, como contar chaminés e nuvens até números intermináveis mais 1. Éramos felizes.

Um dia, armados de uma coragem maravilhada, construímos um cata-vento gigante, feito de cartão, e ocupámos o terraço em busca do sopro da sorte nas direcções do vento. Para cada um de nós, o cata-vento apontou um sentido diferente no amplo espaço azul do céu e a avó disse: “Um dia cada um de vós seguirá o seu caminho”.

Eu não acreditei. Tu acreditaste?

Preferia que nunca tivéssemos construído aquele cata-vento.

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