Ei, tu! Sim, tu aí! Não te faças de desentendida, é contigo mesmo que estou a falar. A miúda com o éclair
de chocolate na mão. Pousa-me já esse bolo, estou a falar a sério! Não
sei se já paraste dois segundos da tua mastigação para pensar em nós, as minúsculas moléculas de gordura que tornam o teu precioso éclair tão
delicioso. Sem nós esse chocolate com o qual te lambuzas pouco mais
seria que uma mistela castanha sem graça e tu nem dois segundos
dispensas para nos agradecer o sacrifício! Que criatura mais sem
maneiras, Deus meu! Vá lá, anda, arranca mais um naco do teu delicioso éclair
e aí vamos nós lançadas pelos teus infinitos tubos digestivos abaixo,
nadando no meio de sucos gástricos e sabe-se lá que mais... mas claro, a
molécula que faça o seu trabalho sem queixas, que o mundo é dos
quimicamente complexos! Bem me diziam os meus botões que me deixasse
estar quieta, um átomo para cada lado e já estava, livres que nem
pássaros a flutuar nalguma sopa primordial. Mas não, aqui a esperteza
saloia tinha de se fazer casamenteira, tinha porque tinha de se tornar
glicérido, então contente da vida toca de juntar os ácidos gordos ao
glicerol e cá vai disto. Serve-te de boa. E tu faz favor não te acanhes!
Continua-me a abocanhar esse éclair, que não tarda nada já me
estás a roer a cauda! E depois ainda contas as calorias e dizes mal dos
lípidos. Isto há gente muito sem pedigree, mesmo...
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